Emoção sobre duas rodas
Sabe aqueles dias em que seu pai vem com aquela “ideia 3D”. Sim, “ideia 3D”. Você ainda não tem noção do "babado"? É aquela brilhante ideia avantajada, boa demais para ser verdade. O que você sabe, claro, que é formada por três dimensões. Primeira: você é apresentado ao tamanho da burrice (desculpe papai). Segunda, você não sabe se o que está vendo é real. E terceira, só você observa as proporções que a ideia pode alcançar. Bem, há oito anos meu pai me mostrou essa ideia brilhante. Ele me apresentou uma cargueira e disse que levaria eu e minha irmã naquele troço para o colégio. Eu indaguei: “Onde está o carro?”. Ele disse: “-O carro está com defeito.”.Partimos ao encontro do bendito colégio. Bem, ele me pôs na frente e atrás a minha irmã. Agora, eu peço sua atenção para imaginar três condenados em uma cargueira (sem freios) curvando uma rua. Então ele avistou a quadra e entrou. Alguns segundos antes eu escutei um ronco de um motor, ou seja, um carro na rua. As mãos do meu “paizão” estavam firmes de mais. Eu disse em mente: “-Se tiver de acontecer alguma coisa, que aconteça agora!”. Além do carro sabe mais o que foi que eu vi? Um vendedor ambulante de cheiro-verde. Eu não acreditei. Naquele segundos antes, com a bicicleta em alta velocidade, meu pai estava pensando em qual dos dois batia: No carro ou no vendedor. Cheiro-verde! Caramba, a bicicleta do vendedor era a irmã gêmea do troço em que eu estava montada. Imagine duas cargueiras: Uma com verduras transbordando e a outra com três inteligentes: uma na garupa, outro no comando e a outra em cima do pneu. Isso mesmo! Em cima do pneu. O estrago estava feito: As duas cargueiras se encontraram. Minha irmã, sempre esperta, pulou da garupa. Tipo aqueles pulos de missão impossível, sabe? E eu? A bicicleta do pobre vendedor subiu por cima de minhas pernas. Quase que eu caio. Onde as verduras foram parar, não precisa nem falar. Foram todas ao meu encontro. Minhas pernas ficaram cobertas de cheiro-verde. O que eu mais lembro é do coitado do vendedor, pois ele era deficiente físico. Então eu fiquei naquela situação::o vendedor tentando segurar a sua bicicleta e ao mesmo tempo perguntando se eu estava bem e meu pai apanhando as verduras do homem, dizendo que estava tudo bem, limpando as verduras. Eu não fui ao colégio e meu pai voltou comigo mais a minha irmã e, claro, com a bicicleta torta. Era a terceira dimensão meeeesmo. Nunca imaginei um acidente dessa proporção. Não foi nada tão grave, foi mesmo a burrice realmente.
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